Por Bryan Guimarães
A violência já não é algo que nos assusta! Você concorda com essa afirmação? E se o Governo Estadual, em ação conjunta com o Federal, colocar tanques de guerra para tentar acabar com o tráfico, a visão continua a mesma?
O Rio de Janeiro vive um momento histórico. População, Estado, Polícia, todos contra o tráfico. Porém, minha análise não é sobre essa grandiosa e importante ação em combate a uma das piores mazelas da sociedade. O que quero compartilhar com vocês é um pensamento, que, por enquanto, ainda não está completamente definido.
Os assistentes sociais (não necessariamente apenas eles) tendem a dizer que determinadas ações são realizadas pelo meio em que o homem se encontra, que a falta de estrutura familiar causa essa "dependência". Eles dizem que muitos desses jovens envolvidos estão lá porque o Estado não tem uma ação direta sobre a sociedade como um todo, não garante saúde, educação, moradia, transporte, nada disso em condições dignas.
Já os revolucionários dizem que a culpa é toda do sistema. Aquele velho chavão (Modelo, padrão, lugar comum, coisa que se diz ou se escreve por costume; clichê) já saturado, onde apenas existe o todo poderoso e os outros são apenas vítimas indefesas, sem nenhuma escolha.
A maioria (e aí tenho que dizer que faço parte desse grupo, em parte) tem apenas uma visão simples, talvez errada, mas explícita: Todos que participam desse meio são vagabundos, sem caráter.
Sim, concordo com essa tese, mas não completamente. É lógico que aquele ciclo de pobreza o acompanha. O seu mundo no Bairro da Paz é muito mais obscuro do que o de quem mora na Vitória, por exemplo. Mas será que essa falta de condições necessárias para se formar um cidadão de bem é desculpa para ações criminosas? E vou mais longe. Será que realmente o governo não dá essa atenção necessária?
É de comum acordo que os moradores de morros e favelas, em sua maioria, são pessoas de bem, que acordam às 04 da manhã para ganhar um salário mínimo. Então, me expliquem uma contradição. Se a maioria que está ali é de bem, mesmo não tendo o mesmo acesso a uma base estruturante, por que a minoria do crime, que também não têm o mesmo acesso, pode ser enquadrada como seres que são vítimas do sistema?
O que dizermos dos "playboys" que sobem o morro pra comprar pó? Melhores escolas, acesso a todo tipo de informação. Qual a desculpa para esses? Creio que a dificuldade imposta e o meio que vivemos podem, sim, nos moldar em algumas ações, porém, caráter e honestidade ficam longe disso. Seja você pobre ou rico, com acesso ou não, é uma personalidade que independe de classe ou cor.
Que fique claro que não é uma imposição, apenas uma visão de quem vê, escuta, fala e presta atenção nos acontecimentos. E desde já deixo que vocês exponham suas vertentes sobre o tema.
